O diário de Frida Kahlo

“Pies para qué los quiero si tengo asas pa’volar”

Desenhos. Muitos desenhos. Registros em tinta colorida. Muitas cores. Muitos rabiscos. Trechos riscados e reescritos. Mais que isso. Sentimentos, dores, reflexões, esperança.

Reproduzir um diário parece uma invasão de privacidade. Confesso que tentei entender o fio da meada que justificasse publicar um livro que é a cópia das anotações pessoais e íntimas de Frida Kahlo.

No site do Museo Frida Kahlo, consta que o diário foi organizado como livro em 2001 por uma empresa mexicana de inovação em educação e desenvolvimento humano chamada La Vaca Independiente. A introdução dessa edição é do reconhecido escritor mexicano Carlos Fuentes e o ensaio e comentários das imagens são da crítica de arte Sarah M. Lowe.

Em 2012, houve uma nova edição ligada aos Museus Diego Riviera e Frida Kahlo. A partir desta, foram reservados os direitos da edição brasileira à Editora José Olimpyo.

Como esse livro foi classificado como do gênero de arte, sua impressão atende a um padrão mais alto de qualidade, inclusive, foi impresso na Índia. É uma edição de capa dura com uma gramatura diferenciada. A apresentação é de Frederico Morais, escritor e crítico de arte especializado na arte de Frida Kahlo.

A obra se divide em cinco partes.

Introdução: “Frida Kahlo: Tudo é autorretrato” – escrita por Morais que, como diz o próprio título, é uma espécie de autorretrato, só que em uma mescla de texto com desenhos e outros elementos gráficos.

Apresentação – explica que os registros foram feitos por Frida nos seus últimos dez anos de vida, de 1944 a 1954.

Fac-Símile de O diário de Frida Kahlo – sua reprodução é tão perfeita que a tinta de uma página transpassa para o seu verso dando a nítida sensação que se está lendo um singelo caderno de folhas finas.

Tradução do diário – as folhas são reproduzidas com o texto de transcrição acompanhando-as.

Cronologia – do nascimento de Frida à abertura da Casa Azul como museu em sua memória.

Voltando à pergunta se Frida gostaria de ver seu diário revelado. Talvez ela não se importasse. Sua arte já é reveladora o suficiente. E o diário complementa o entendimento sobre seus pensamentos já tão presentes em sua obra. Frida foi autêntica e assumida em suas posições. Era tão transparente como a tal folha fina de um diário. Não haveria de se incomodar.

Já o diário em si é uma relíquia que permite uma leve percepção de seu processo criativo e complementa a biografia e a imersão no seu mundo particular. Não dá exclusividade ao amor, como se poderia pensar. Mas também a vários momentos de sua vida, dos seus sofrimentos físicos, de suas inquietudes políticas e humanas. E é pouco misterioso também porque a transcrição dos seus escritos não é suficiente para desvendar todos os mistérios da mente dessa mulher tão única.

Santiago de Chile, 16 de abril de 1916

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